quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Olhares.


 Bate o sino, pequenino, sino de Belém...



Dia comum, calmo, parado como quase todo inicio de férias. O dia inteiro em casa. Uma saída para visitar a família que se reuniria na casa dos meus avós. Amigo secreto por ocasião do Natal. Jantar com todos. Volta para casa com meus pais. Aparentemente era só mais um dia de sábado com uma visitinha. Eis que, aos olhos de todos que quisessem ver, em pleno cruzamento de duas avenidas bastante movimentadas, um casal sai do carro e, simplesmente, no meio da rua, começa uma briga. Melhor reformular a cena: o homem sai do carro enfurecido e começa a bater na mulher que estava acompanhada de sua mãe que nada poderia fazer contra a força de um homem naquele estado, apenas proferir palavras para atingí-lo. Após o cidadão deixar a mulher no chão, voltar e bater no carro como um primata irracional, volta e dirige-se à senhora, puxa os cabelos e a empurra fazendo-a bater com a cabeça no chão. O animal não pareceu satisfeito em agredir uma mulher em público. Precisou bater na mãe dela que já era mais velha.
No momento, os músculos se enrigessem, o corpo esquenta. Todo o teu corpo te fala para intervir na situação que, por si, clamava por ajuda mas o mesencéfalo desenvolvido mandou ficar quieto, parado, dentro do carro e apenas acionar a polícia.
Outra dúvida ficou em minha mente. Se eu tivesse armas e treinamento necessário eu interviria na situação? Fico-me perguntando por que me passa pela cabeça fazer um concurso para tornar-me policial. Seria o mais prudente? Eu, com minha família dentro do carro, sem compromisso nenhum... Acho que eu teria tomado a mesma atitude que tomei. Eu não iria fazer nada sem apoio e poderia colocar a vida de pessoas que eu amo em perigo.
É Dezembro, mês simbólico para todos os cristãos e não-cristãos. Para os cristãos é o renascimento de Deus que acontece todos os dias 25 de Dezembro, é renovação do espírito. Para os não-cristãos é o último mês do ano, é tempo de renovar os planos para o ano que vem por ai, é tempo de refazer as velhas promeças. Para ambos é “vida nova”. Me vem uma cena dessas, em Dezembro. São animais como o que vi hoje que fazem perder aos poucos a confiança que outras pessoas me botam no ser humano. Aqueles sistemas lindos e teorias lindíssimas que nunca saem do papel é por causa de seres humanos como aquele, se é que merece ser chamado de ser humano, olhe lá animal. Julgo que seria ofensa aos nossos companheiros animais. É por causa de coisas como aquele bípede que os sonhos das teorias estão a cada dia mais longe. Mais longe porque ele é produto de uma criação nova, de uma sociedade que se modificou bastante nos ultimos anos. A culpa é de quem?

Nenhum comentário:

Postar um comentário